Eu vivo em dois universos: aquele do qual as pessoas chamam de real e o meu mundo onírico. É claro que o segundo é meu favorito, e algumas lágrimas já querem brotar em mim simplesmente por citá-lo. Como explicar? Aquele é o meu mundo, o meu refúgio nas noites mais frias, a mais utópica projeção do planeta. Fecho meus olhos e imediatamente uma sensação de alívio percorre cada veia e músculo. Estou em casa.
Lá não há nenhuma regra, a não ser as minhas; nenhuma proibição, exceto a proibição de se proibir; nenhuma lei, a não ser umas poucas leis da física e nenhuma preocupação, excetuando a de ser feliz.
Foi ali que vivi e revivi as histórias mais incríveis da minha vida e criei aquelas que me faltavam no chamado "mundo real". É ali que me completo todos os dias, ou melhor, todas as noites.
A parte mais cruel desse universo todo é ir embora. Bruscamente, sem chance de me despedir ou me desprender daquilo. É basicamente uma interrupção repentina de algo vital, um corte de oxigênio. E dói.
Sorte a minha de ter outras noites para restabelecer minha respiração.

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